Publicidade agressiva entre concorrentes

Diversas marcas rivais utilizam seu canal de comunicação para tornar sua mensagem algo mais provocativo, atacando sua principal concorrente com alguma peça publicitária. Essa prática é muito mais comum no mercado dos Estados Unidos, por exemplo, e a maioria das campanhas com tom ofensivo à outra empresa é impedida de ir ao ar pelo CONAR, órgão regulador nacional do conteúdo veiculado por empresas para o meio publicitário.

Recentemente, o Burger King aproveitou o Halloween para lançar uma campanha, onde no vídeo vemos um rapaz sendo perseguido por um grupo de palhaços – isso mesmo, um deles ainda lembra o mascote da principal concorrente, McDonalds – e ao fim, todos chegam a uma unidade do BK atrás de um Whoper, famoso sanduíche. Para terminar a provocação, com a frase “Vista-se como um palhaço e coma como um rei”, a empresa convoca os clientes à visitarem uma das lojas vestidas de palhaço e comam de graça! A ação rolou nesse ano, no final de semana do dia 31 de outubro.

 

O Burger King sempre traz a questão do palhaço para dentro de sua comunicação. Aproveitando o grande sucesso de It: A Coisa, filme de terror lançado nesse ano que tem como grande ameaça uma criatura fantasiada de palhaço, a empresa utilizou o final de algumas sessões de cinema, logo antes de rolarem os créditos finais para liberar uma mensagem, “A moral é: Nunca confie em palhaços”.

Ainda envolvendo o McDonalds, recentemente a franquia de fastfood adquiriu os direitos de fazer o Milkshake de Ovomaltine, que era exclusivo da Bobs, que agora não pode mais nomear seu produto com o nome Ovomaltine, mas ainda pode produzi-lo. Como resposta, o Bobs criou a campanha #MilkFake, que rodou a internet e viralizou seu conteúdo devido a guerra contra a concorrente que agora pode usar o Milkshake que era seu símbolo.

A campanha virou até uma esquete do canal Porta dos Fundos, onde um palhaço tenta roubar Milkshakes de uma unidade do Bobs.

Em outro caso temos a Nissan! Ela nunca colocou barreiras ao falar de suas concorrentes, e nesse comercial eles aparecem descontentes com o serviço de seus funcionários por não conseguirem superar o modelo Nissan Livina. A campanha foi ao ar em 2010, e teve sua veiculação suspensa pelo Conar, já que cita de modo explicito o nome de outras montadoras, e como resposta, um dos sócios da Nisan disse que o comercial tratava de forma divertida os prêmios recebidos por sua empresa, e a equipe criativa defendeu que o vídeo seguia a linha de comparação que a marca sempre utilizava em sua comunicação.

E realmente, eles não mentiram: a Nissan é sempre teve suas campanhas agressivas sendo feitas, seguindo para esse outro exemplo onde a montadora ataca a Ford, colocando em uma balança os benefícios da comparação entre modelos semelhantes das marcas, deixando a concorrente com a imagem de uma empresa que tem foco apenas em seu lucro, sem pensar no seu cliente.

Os casos parecem recentes, mas os ataques eram mais comuns há algumas décadas. A rivalidade entre Apple e Microsoft, por exemplo já serviu de pauta para comerciais, assim como Nike e Adidas, ou até mesmo as gigantes das bebidas, Coca-Cola e Pepsi, que são concorrentes ferrenhas, disputando espaço nas prateleiras de lojas, assim como na mídia, cada uma garante o patrocínio de grandes eventos, e já trocaram farpas em comerciais. Um dos casos mais famosos é o do comercial onde uma criança utiliza duas latinhas de Coca-Cola para alcançar uma de Pepsi.

Ou até mesmo um comercial com o ator chinês Jackie Chan, onde cenas de um filme são feitas com uma Pepsi, e nas de ação, utiliza-se uma Coca como dublê, para não danificar a da marca.

Por fim, vemos que seguir uma linha mais provocativa deve ser feito de modo cauteloso, já que em muitas vezes, o vídeo pode acabar sendo barrado pelo CONAR aqui no Brasil, e acarretando em prejuízo para a produção e todo o planejamento. Algumas empresas assumem o risco e já estão prontas com um plano B, com uma campanha para ser substituída e que tenha o discurso amenizado quanto a provocação. O impacto com o público também deve ser previsto, pensando em como as pessoas vão perceber a publicidade provocativa, tentando minimizar o impacto negativo que pode causar.   

 

Fonte: handgran

About the author: kmipublicidades

Deixe uma resposta

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.